O presente post pretende mostrar como
-as deslocações de Emigrantes Portugueses explicam a diferença entre o número de Turistas e o de Hóspedes do Alojamento Classificado, Residentes em França,
-grande parte da Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França resulta de actividades durante as estadias dos Emigrantes, quase sempre Hóspedes do Alojamento Não Classificado.
Por fim, analisamos um caso pontual da Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas apenasno Alojamento Classificado.
-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia
As remissões entre chavetas referem este Relatório, excepto se outro documento for mencionado. Um Glossário facilita a leitura do post.
1.Mercado Emissor de França – Turistas e Hóspedes
*Turistas e Hóspedes (2004/2007)
O Gráfico 1 ilustra a evolução 2004/2007 do número de Turistas e Hóspedes Residentes em França, no Alojamento Classificado e Não Classificado. A análise é limitada aos únicos anos em que o INE realiza o Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras [ver ponto 1.4 do Relatório].
Continuamos a assumir três hipóteses:
-o número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado é igual ao número de Turistas menos o número de Hóspedes no Alojamento Classificado,
-um Turista pode originar vários hóspedes; ao considerar “um Turista, um Hóspede”, estamos a reduzir o número de Hóspedes que alojam no Alojamento Turístico Não Classificado e a correcção desta simplificação reforçaria o número de Turistas que utilizam este Alojamento,
-a união do Alojamento Classificado e Não Classificado corresponde à Definição Abrangente de Alojamento Turístico [ver Ponto 3 do Relatório].
Gráfico 1 – Turistas e Hóspedes Residentes em França no Alojamento Classificado e Não Classificado
(milhares)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
O Gráfico 1 mostra, para o caso de Residentes em França, a consistência de um número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado muito superior ao do Alojamento Classificado. O número limitado de anos, a inversão de tendência no último ano e a dificuldade das contagens nas Fronteiras Terrestres impedemem análise mais profunda destes números.
*País de Residência e Consequências
O Turista é um Visitante que se desloca do seu Ambiente Habitual [ver Glosário] para o destino da Deslocação [trip, em inglês]. Estatísticas e Conta Satélite do Turismo assentam neste princípio geral. Dele resulta que os emigrantes portugueses de visita a Portugal são Turistas. Este facto dá origem de três tipos de reacção:
-a primeira é a de alguma incredulidade e resulta de visão algo romântica de Turismo e da imagem, entre o negativo e o desprezo, que muitos portugueses ainda têm dos Emigrantes de há dezenas de anos,
-a da Politica de Turismo, que deveria integrar este Segmento da Procura no seu âmbito de acção e reforçar a criação de valor gerado pelas deslocações dos Emigrantes, ligadas ao Segmento mais vasto da Diáspora,
-a terceira é a dos espíritos pragmáticos, que já operam neste mercado e acompanham a sua transformação desde há muitos anos.
Se o País dispusesse de um Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras, saberíamos mais sobre o que representam estes 836.000 Turistas Residentes em França. Sem o Inquérito, estamos reduzidos a ideias, especulações, preconceitos, à mistura com estudos parcelares.
2.Mercado Emissor de França – Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos
*Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado (2002/2012)
Começamos por dividir a “Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França” pelo “Número de Dormidas no Alojamento Classificado por Residentes em França”.
A partir daqui, é simples: quanto mais alta for a Receita Média obtida, mais importante é a parte da Receita de Viagens e Turismo imputável aos Hóspedes do Alojamento Não Classificado.
O Gráfico 2 ilustra a evolução 2004/2012 desta Receita Média. Há duas realidades evidentes:
-a importância da parte da Receita imputável aos Hóspedes do Alojamento Não Classificado,
-a tendência de descida, que não podemos explicar por falta de informação.
Gráfico 2 – Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado
(euros)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
* Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado – Comparação de Mercados Emissores (2012)
O Gráfico 3 ilustra a comparação desta Receita Média em vários Mercados Emissores, no ano de 2012.
Gráfico 3 – Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado (2012)
(euros)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
Apenas considerámos Mercados Emissores com Receita de Viagens e Turismo superior a mil milhões de euros. Fora do caso evidente do Mercado Emissor de França, é possível identificar realidades distintas:
-no caso de Espanha, há compras de Excursionistas nas vilas fronteiriças, mas não explicam tudo e não sabemos como explicar o que falta,
-nos outros países, há um mix variável de Emigrantes e de Turistas em Residência Secundária e Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos.
3.Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas no Alojamento Classificado
*Receita, Hóspedes e Dormidas (2002/2012)
O Gráfico 4 ilustra a evolução entre 2002/2012 de
-Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França, em milhões de euros,
-Hóspedes e Dormidas no Alojamento Classificado, em milhares.
Gráfico 4 – Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas (2002/2012)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
O INE não dá o detalhe por Mercado Emissor, dos Proveitos Totais do Alojamento Classificado. Somos obrigados a comparar números duas realidades diferentes: Receitas de todos os Turistas e Hóspedes/Dormidas apenas no Alojamento Classificado.
Registamos dois factos:
-a Subida das Dormidas é mais rápida do que a dos Hóspedes,
-a partir de 2008, os três indicadores sobem a ritmo mais intenso, que exige uma primeira análise [ver a seguir].
Um novo Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras e formulando as perguntas adequadas, é instrumento indicado para nos dar a macro informação indispensável à análise da dimensão económica, cultural e social da Procura de Viagens a Portugal pelo Segmento dos Emigrantes. Este Segmento é mais evidente no caso do Mercado Emissor de França, mas não pode ser ignorado em muitos outros mercados.
*Estadia Média no Alojamento Classificado
O Gráfico 5 ilustra a evolução da Estadia Média no Alojamento Classificado, entre 2002/2012. Comentário:
-a Estadia Média varia entre 2.5 e 3.4 noites, o que seria aceitável se houvesse um claro domínio da Estadias Curtas de Tour Urbano e Cultural e não o peso da Viagem de Estadia em Madeira e Algarve – este facto exige análise mais profunda.
Gráfico 5 – Estadia Média no Alojamento Classificado
(noites)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
*Evolução Recente da Procura (2009/2012)
O Gráfico 6 ilustra a evolução entre 2009/2012 de
-Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França, em milhões de euros,
-Hóspedes e Dormidas no Alojamento Classificado, em milhares.
Gráfico 6 – Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas – Evolução Recente da Procura (2008/2012)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
Durante este período, Receita (26.6%), Dormidas (39.5%) e Hóspedes (31.2%) crescem a um ritmo diferente do verificado antes. O ano de 2013 é crucial para confirmar esta tendência.
*Repartição da Variação de Dormidas Por NUTs II
O Gráfico 7 ilustra a repartição da variação entre 2009 e 2012 do número de Dormidas, por NUT II. O resultado deixa perceber: i) crescimento claro de Lisboa e Madeira e evidente no Norte; ii) crescimento marginal no Centro e estagnação no Algarve. Neste crescimento, há Emigrantes portugueses, elementos da Diáspora (de segunda e terceira geração e naturalizados), mais os Franceses e outros Residentes em França.
Gráfico 7 – Variação de Dormidas por NUTs II (2009/2012)
(milhares de noites)
Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo
Nota Final
O Mercado Emissor de França é um caso de estudo (e de negócio), na análise da Emigração (e Diáspora) no Turismo em Portugal. Estão em causa aspectos como: i)os Emigrantes deixarem de ser Clientes Cativos de Portugal e passarem a ser Clientes Competitivos; ii)as novas gerações; iii)para além da Segunda Residência e do Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos, passarem a utilizar o Alojamento Classificado.
A Bem da Nação
Albufeira 4 de Agosto de 2013
Sérgio Palma Brito







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